As 7 Cartas Psicografadas Mais Famosas de Chico Xavier (e por que ainda emocionam o Brasil)
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Atualizado em: 20/12/2025
Chico Xavier (1910–2002) psicografou, ao longo de mais de 60 anos, milhares de cartas atribuídas a pessoas falecidas. Muitas mensagens ficaram famosas por trazerem detalhes íntimos, nomes de familiares, apelidos e circunstâncias da morte que, em tese, só as famílias conheciam. Algumas chegaram a ser lidas em tribunais e influenciaram julgamentos — um fato inédito no Brasil.
Este artigo reúne as cartas psicografadas mais famosas de Chico Xavier, com contexto, principais trechos, repercussão pública e as reações de fé e ceticismo. Para aprofundar o tema, veja também Chico Xavier e a psicografia, o que é psicografia, carta psicografada: guia completo e como a psicografia funciona.

Resumo rápido (para quem quer só o essencial)
- Casos mais citados: Tetéo (Rangel), Arthur Joviano, William Figueiredo, Nair Bello, Henrique Gregoris, Maurício Henriques e Gleide Dutra.
- Por que ficaram famosas: detalhes específicos, assinaturas semelhantes, impacto emocional e uso em processos judiciais.
- Controvérsias: há defensores e críticos; muitos juristas não consideram psicografia prova válida.
- Onde aprofundar: autenticidade das cartas psicografadas e aspectos legais da psicografia.
O que torna uma carta “famosa” no Brasil
As cartas que ganharam destaque costumam reunir alguns fatores:
- Detalhes íntimos verificáveis (apelidos, hábitos familiares, objetos pessoais).
- Repercussão pública (mídia, TV, livros, depoimentos de familiares).
- Impacto social ou jurídico (uso em julgamentos e debates acadêmicos).
- Valor emocional coletivo, especialmente em casos de grande comoção.
Para entender o contexto religioso dessas mensagens, veja psicografia e espiritismo.
Cartas consoladoras com detalhes pessoais impressionantes
1) Carta do menino Rangel (“Tetéo”)
Um dos relatos mais conhecidos envolve a carta atribuída ao pequeno Rangel, apelidado de Tetéo, falecido aos 3 anos após cair de bicicleta. Um ano depois, Chico Xavier psicografou a mensagem em Uberaba. Segundo relatos, a carta teria sido escrita com caligrafia infantil, embora a criança não tivesse sido alfabetizada. O texto citava nomes e apelidos familiares como “Vô Lico” e “Tia Gilda”, além de uma amiga presente no encontro (“Tia Lé”), detalhes considerados improváveis de conhecer previamente. O caso é frequentemente citado como exemplo de carta consoladora rica em informações pessoais.
Fontes: Superinteressante e WeMystic.
2) O educador Arthur Joviano “voltou a escrever”
Arthur Joviano, educador mineiro falecido em 1934, teria se comunicado com a família por meio da psicografia de Chico. As cartas foram numerosas e extensas, reunidas depois no livro Sementeira de Luz. Em uma das mensagens, ele cita o aniversário de Maria (nora), o perfume de flores trazidas por uma amiga falecida e até uma viagem que a família planejava — informação que Chico não conheceria. Um ponto marcante foi a assinatura semelhante à de Arthur em vida, destacada por análises de grafoscopia.
Fontes: Superinteressante e WeMystic.
3) Décadas de cartas de William Figueiredo
William Figueiredo morreu aos 17 anos, em 1941, e sua família passou a receber mensagens psicografadas por décadas. Nas cartas, William se dirige à mãe, Dona Adélia, mencionando o irmão Wilson, sua esposa Lourdes e um filho — dados que Chico supostamente não sabia. Em uma passagem, ele fala do “caderno perdido”, objeto que realmente existia e havia desaparecido por um período. Esse conjunto de detalhes fortaleceu a convicção da família.
Fontes: Superinteressante e WeMystic.
A carta que marcou o meio artístico
4) Nair Bello e a carta do filho Manoel (Mané)
A atriz Nair Bello perdeu o filho Manoel Francisco em um acidente de carro. Após quatro visitas a Chico Xavier, recebeu uma carta que, segundo ela, continha detalhes íntimos da relação com o filho e trouxe grande conforto. O depoimento de Nair foi amplamente divulgado, inclusive em programas de TV, popularizando ainda mais o fenômeno das cartas consoladoras. Anos depois, ela reconheceu que a caligrafia era de Chico, mas afirmou que o conteúdo permaneceu significativo.
Fontes: SRZD e Ceticismo Aberto.
Psicografias que chegaram aos tribunais
Em pelo menos três julgamentos, cartas atribuídas a vítimas falecidas foram lidas como parte da defesa. Esses casos alimentaram o debate sobre o valor jurídico das psicografias. Veja também nossa análise em aspectos legais da psicografia.
5) Henrique Emmanuel Gregoris (Goiânia, 1976)
Henrique morreu após um disparo acidental durante brincadeira com amigos. A carta psicografada por Chico pedia à mãe que perdoasse João Batista França e suspendesse o processo. O juiz Orimar Pontes aceitou anexar a mensagem ao processo. No julgamento, o réu foi absolvido, e o caso ficou conhecido como o primeiro uso de psicografia com influência direta no veredito.
Fontes: Memória Globo, Arquivo Lucélia Santos e Limiar Espírita.
6) Maurício Garcez Henriques (Goiânia, 1976–1980)
Em situação semelhante, Maurício morreu em um tiro acidental. A carta psicografada relatava o acidente e isentava José Divino Nunes de culpa, pedindo perdão. Os pais da vítima mudaram de postura após a mensagem e, em 1980, o réu foi absolvido pelo júri. O caso virou manchete nacional e alimentou discussões acadêmicas sobre prova mediúnica.
Fontes: Arquivo Lucélia Santos e Limiar Espírita.
7) Gleide Dutra de Deus (Campo Grande, 1980–1990)
Gleide, ex-miss de Campo Grande, morreu após um tiro acidental. Duas cartas psicografadas por Chico afirmavam que o marido, João Marcondes, não teve intenção de matar. No primeiro júri, ele foi absolvido. Em novo julgamento anos depois, foi condenado por homicídio culposo, mas a pena prescreveu. O caso teve grande repercussão no Mato Grosso do Sul.
Fontes: MidiaMax e Arquivo Lucélia Santos.

Tabela comparativa das cartas famosas (resumo cronológico)
| Ano / Época | Carta psicografada e contexto | Destinatários (vivos) | Detalhes marcantes e impacto público |
|---|---|---|---|
| 1935–1941 | Arthur Joviano (educador, fal. 1934). Chico era funcionário do filho. | Família Joviano (Rômulo, Maria, netos) | Mensagens longas, detalhes familiares e assinatura semelhante à de Arthur; compiladas no livro Sementeira de Luz. |
| 1942–déc. 1980 | William Figueiredo (fal. 1941 aos 17). | Dona Adélia e família Figueiredo | Cartas por ~40 anos; menções a Wilson, Lourdes, filho e ao “caderno perdido”. |
| 1973–1980 (aprox.) | Rangel “Tetéo” (fal. aos 3 anos). | Pais Célia e Aguinaldo | Caligrafia infantil e uso de apelidos íntimos (“Vô Lico”, “Tia Gilda”, “Tia Lé”). |
| 1976–1979 | Henrique E. Gregoris (morte acidental). | Mãe e Tribunal do Júri (Goiânia) | Carta pede perdão e fim do processo; absolvição do réu. |
| 1977 | Manoel “Mané” Bello (filho de Nair Bello). | Nair Bello | Carta com detalhes íntimos; repercussão midiática e forte impacto emocional. |
| 1978–1980 | Maurício G. Henriques (morte acidental). | Pais e Tribunal do Júri (Goiânia) | Carta isenta amigo; absolvição por 6x1; debate nacional sobre prova mediúnica. |
| 1980–1990 | Gleide Dutra de Deus (ex-miss). | Tribunal do Júri (Campo Grande) | Cartas afirmam acidente; absolvição inicial; condenação culposa com pena prescrita. |
Repercussão, fé e ceticismo: por que o debate continua
As cartas psicografadas de Chico Xavier geram leituras muito diferentes:
Perspectiva espiritual:
- Relatos de detalhes íntimos reforçam a crença na continuidade da vida.
- Famílias relatam consolo profundo e reconciliação emocional.
- Pesquisadores simpáticos citam análises grafoscópicas e coerência do conteúdo.
Perspectiva cética:
- Possível coleta prévia de informações em fichas e conversas.
- Viés de confirmação em situações de luto intenso.
- Ausência de controle científico e replicabilidade.
Para uma visão equilibrada, veja ciência e psicografia e interpretação de cartas psicografadas.
Como ler essas histórias com responsabilidade
- Busque contexto histórico e consulte diferentes fontes.
- Evite decisões jurídicas ou de saúde baseadas apenas em relatos espirituais.
- Considere o impacto emocional do luto ao avaliar o conteúdo.
- Priorize centros ou médiuns com ética reconhecida.
Se você está vivendo um momento de perda, veja também como lidar com o luto e sinais de que um ente querido pode tentar se comunicar.
FAQ rápido
Se você prefere respostas diretas, consulte a seção de FAQ no topo do artigo. Para dúvidas adicionais, visite nossa página de perguntas frequentes.
Fontes e leituras externas
- Superinteressante
- Memória Globo
- MidiaMax
- WeMystic
- Arquivo Lucélia Santos
- Limiar Espírita
- SRZD
- Ceticismo Aberto
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