Carta psicografada de Ana Paula Arósio: o que diz o relato sobre o ex-noivo Luiz Carlos Tjurs
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Atualizado em: 23/06/2026

Resumo rápido
- Não houve carta escrita. O que circulou em junho de 2026 foi um relato verbal em vídeo no Instagram ("canalização") da esoterista Mônica Buonfiglio, atribuído a Luiz Carlos Leonardo Tjurs.
- Tjurs era noivo, não marido. A imprensa de entretenimento usou "ex-marido" e "carta psicografada" de forma imprecisa. Eles nunca se casaram e não existe documento manuscrito.
- O conteúdo do relato: Tjurs inocentaria Ana Paula Arósio de qualquer culpa por sua morte ("não é culpa da Ana").
- A morte foi em 1996. Tjurs se suicidou diante da atriz, no início de novembro daquele ano, e deixou bilhetes acusando-a de traição. A polícia concluiu suicídio por motivos passionais.
- Ana Paula Arósio não se pronunciou. Reclusa na Inglaterra desde 2015, ela e sua assessoria seguem em silêncio. A família de Tjurs também não respondeu.
- Psicografia ≠ canalização. A psicografia kardecista é escrita à mão; o que Buonfiglio fez foi uma fala verbal. "Carta psicografada" foi rótulo de manchete.
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O que aconteceu com a "carta psicografada" de Ana Paula Arósio?
Em junho de 2026, a esoterista Mônica Buonfiglio publicou um vídeo no Instagram relatando uma suposta mensagem do ex-noivo da atriz, Luiz Carlos Tjurs, morto em 1996. No relato, ele a isentaria de culpa por seu suicídio.
A repercussão veio rápido. Colunas e portais de entretenimento publicaram, em 22 de junho de 2026, manchetes que falavam em "carta psicografada" do "ex-marido" de Ana Paula Arósio. Os dois enquadramentos são imprecisos, e vale corrigi-los desde o início:
- Não houve carta. Buonfiglio fez um relato falado em vídeo, não a escrita manual de um texto.
- Não houve marido. Tjurs foi noivo da atriz. Eles nunca se casaram.
Esse cuidado terminológico não é preciosismo: é a diferença entre informar e amplificar boatos sobre uma tragédia real, envolvendo uma pessoa que escolheu o anonimato. Para entender melhor a base do tema, veja o que é uma carta psicografada e o que é psicografia.
Carta psicografada ou canalização? A distinção que muda tudo
A psicografia, no espiritismo kardecista, é a escrita manual de um texto sob suposta influência de um espírito; o que Mônica Buonfiglio fez foi uma "canalização", um relato verbal típico da Nova Era. São coisas diferentes.
A palavra psicografia vem do grego psyché (alma) + graphein (escrita) — literalmente "escrita da alma". O procedimento foi codificado por Allan Kardec em O Livro dos Médiuns e pressupõe um documento escrito à mão, como nos casos célebres atribuídos a Chico Xavier.
Mônica Buonfiglio, por sua vez, é esoterista — ligada à angeologia e a tradições como umbanda, candomblé, cabala e o estudo de anjos —, e não médium espírita kardecista. Ela foi best-seller nos anos 1990, com obras como Anjos Cabalísticos e Almas Gêmeas. O que divulgou foi uma fala, não uma carta. A expressão "carta psicografada" foi um rótulo de manchete.
Quem foi Luiz Carlos Tjurs, o noivo de Ana Paula Arósio?
Luiz Carlos Leonardo Tjurs era empresário, herdeiro da rede de hotéis Horsa e noivo de Ana Paula Arósio. Cerca de oito anos mais velho que ela, era descrito por pessoas próximas como inseguro e ciumento, e fazia uso de medicamentos fortes.
Tjurs tinha 29 anos quando morreu. Ana Paula, então com 21 anos, era contratada do SBT e gravava uma novela na época.
Como e quando morreu o noivo de Ana Paula Arósio?
Luiz Carlos Tjurs cometeu suicídio com um tiro, diante de Ana Paula Arósio, no início de novembro de 1996, no apartamento dele no Conjunto Nacional, na esquina da Avenida Paulista com a Rua Augusta, em São Paulo. Ele deixou bilhetes alegando traição.
A investigação ficou a cargo do delegado Ivaney Cayres de Souza, então titular do 78º DP (Jardins). Em entrevista à Folha de S.Paulo, ele resumiu o conteúdo dos bilhetes sem expor detalhes íntimos: "No geral, eles dizem a mesma coisa, que o Luiz Carlos estava se sentindo traído (...)". Segundo o delegado, Tjurs relacionava esse sentimento a um suposto envolvimento da noiva com outra pessoa — alegação registrada nos bilhetes, nunca comprovada. A conclusão policial foi de suicídio por motivos passionais.
A atriz prestou depoimento de mais de duas horas e desmaiou três vezes. O publicitário Marco Aurélio Carvalho, um dos primeiros a acolhê-la, relatou: "Demos uma volta no quarteirão, mas ela estava em estado de choque e não dizia nada. Só chorava."
Por respeito às pessoas envolvidas, não reproduzimos trechos íntimos ou ofensivos dos bilhetes. Os boatos da época ligaram o nome da atriz ao apresentador Serginho Groisman — que sempre negou — e ao empresário Luiz Simonsen Neto. Nenhuma dessas associações foi comprovada.
Os dois documentos que o público confunde
É essencial separar dois conjuntos de mensagens que estão sendo misturados na cobertura: os bilhetes reais de 1996 e o relato espiritual de 2026. Eles têm origem, natureza e conteúdo opostos.
| Aspecto | Bilhetes de Tjurs (1996) | Relato de Buonfiglio (2026) |
|---|---|---|
| Natureza | Documentos manuscritos reais | Fala em vídeo (canalização) |
| Autor | Luiz Carlos Tjurs, em vida | Mônica Buonfiglio, esoterista |
| Conteúdo | Acusações de traição | Defesa e isenção de culpa da atriz |
| Existência física | Sim, citados em investigação | Não há carta escrita |
| Status | Apurado pela polícia | Relato unilateral, sem checagem |
Nenhuma das matérias de entretenimento fez esse contraste com clareza. O resultado é que, no imaginário público, a "absolvição" espiritual de 2026 se sobrepõe à acusação original de 1996 — sem que se explique que são registros completamente distintos.
O que diz exatamente o relato de Mônica Buonfiglio?
Segundo Buonfiglio, a mãe de Tjurs a teria procurado (o relato não especifica quando), e ele, na canalização, teria recusado culpar a atriz. As citações divulgadas são:
- "Uma das coisas que ela [a mãe de Tjurs] tentava me induzir a falar era culpar a Ana Paula, e ele lá me falava 'Não, não permito, não é culpa da Ana, eu não tava bem, não culpe a Ana'."
- "Ele tinha problemas, talvez, de bipolaridade, depressão, na minha opinião."
É importante frisar que se trata de um relato unilateral: a única fonte é a própria Buonfiglio. Não há confirmação da família de Tjurs nem qualquer documento.
Cronologia: de 1996 a 2026
A narrativa pública sobre a culpa mudou de sinal ao longo de três décadas — da acusação original à "absolvição" espiritual. Veja a linha do tempo:
| Data | Acontecimento |
|---|---|
| 16/07/1975 | Nascimento de Ana Paula Arósio, em São Paulo |
| 1994 | Estreia na TV em "Éramos Seis" (SBT) |
| Início de nov. 1996 | Suicídio de Luiz Carlos Tjurs diante da atriz (2 ou 3/11, ver Divergências) |
| 1998–2002 | Auge da carreira: "Hilda Furacão", "Terra Nostra", "Esperança" |
| 16/07/2010 | Casamento com Henrique Plombon Pinheiro |
| 2010–2011 | Saída da Globo e afastamento das novelas |
| Desde 2015 | Vida reclusa em Swindon, Inglaterra |
| 22/06/2026 | Pico da cobertura sobre a "carta psicografada" |
Ana Paula Arósio se pronunciou? E a família de Tjurs?
Não. Até o fechamento desta matéria, nem Ana Paula Arósio nem sua assessoria comentaram o vídeo, e a família de Tjurs também não respondeu. A atriz vive reclusa desde 2015 e não se manifesta sobre assuntos pessoais.
Vale registrar uma limitação importante de transparência: toda a cobertura disponível vem de colunas e portais de entretenimento (Metrópoles, Estado de Minas, Correio Braziliense, O Liberal, UAI, Mais Novela), com textos quase idênticos. Não houve apuração de hard news (G1, UOL, Folha, Estadão) nem checagem dedicada de agências como Aos Fatos, Lupa ou Comprova. O caso, portanto, repousa sobre um relato unilateral, não verificado.
Por que Ana Paula Arósio se afastou da TV e onde mora hoje?
Ana Paula Arósio deixou as novelas em 2010, rescindiu contrato com a Globo e, desde 2015, vive reclusa em Swindon, na Inglaterra, onde cria cavalos. Ela é casada com o arquiteto e cavaleiro Henrique Plombon Pinheiro desde 16 de julho de 2010.
A atriz consagrou-se em "Hilda Furacão" (1998), "Terra Nostra" (1999) e "Esperança" (2002), entre outras produções. Seu último trabalho na TV foi a série "Na Forma da Lei" (2010). Escalada para "Insensato Coração" (2011), faltou às gravações e foi substituída por Paolla Oliveira. Por volta de 2020 (algumas fontes citam 2021; ver Divergências), fechou um contrato milionário para estrelar comercial do banco Santander — segundo a colunista Keila Jimenez (R7), cerca de R$ 8 milhões, cachê acima de Neymar e Gisele. Em 2025, perguntada num aeroporto se voltaria às novelas, respondeu apenas: "Por enquanto, não."
Carta psicografada já foi usada como prova judicial?
Sim, em casos pontuais — mas é fundamental destacar que o caso de Ana Paula Arósio NÃO tem qualquer dimensão judicial: não há processo, nem documento nos autos. Os precedentes abaixo servem apenas como contexto sobre o tema.
- Caso Mauricio Garcez Henrique (Goiânia, 1979): o réu José Divino Nunes foi absolvido; uma carta psicografada por Chico Xavier o isentava.
- Caso Iara Marques Barcelos (Viamão/RS, 2006): ela foi absolvida por 5 votos a 2; uma carta psicografada pelo médium Jorge José Santa Maria foi citada, e o TJRS manteve a absolvição em 2007.
O debate jurídico opõe a liberdade de crença (art. 5º da Constituição) e o livre convencimento do júri a críticos que afirmam que "mortos não são testemunhas". Aprofunde em aspectos legais da psicografia e veja outras cartas psicografadas famosas.
Divergências entre as fontes
No melhor jornalismo, é honesto registrar onde as fontes não batem. Identificamos quatro pontos de divergência:
- Data da morte: a Folha fala em "por volta das 7h30 do dia 2 de novembro de 1996"; outras fontes situam em 3 de novembro. Os bilhetes teriam sido escritos no Dia de Finados (2/11). Optamos por "início de novembro de 1996".
- Novela em gravação: matérias de 2026 citam "Razão de Viver"; reportagens antigas mencionam "Os Ossos do Barão". Usamos "uma novela do SBT".
- Número de bilhetes: a maioria fala em três; uma minoria, em dois. O delegado disse à Folha que foram três.
- Ano do contrato Santander: alguns textos indicam 2020; outros, 2021.
Por que tantas "cartas psicografadas de famosos" surgem agora?
O caso ganhou tração em meio a uma onda recente de supostas mensagens psicografadas atribuídas a celebridades, como Jô Soares e Diego Maradona. Esse clima ajuda a explicar por que o relato verbal de Buonfiglio foi rapidamente embalado como "carta psicografada", mesmo sem documento.
Para quem chega ao tema buscando consolo em meio a uma perda, sugerimos a leitura de como lidar com a perda e o luto e do nosso guia completo sobre cartas psicografadas.
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Fontes e leituras externas
As referências abaixo são citadas como fontes de cobertura. Por transparência, não anexamos URLs porque não foi possível confirmar os links permanentes de cada matéria no fechamento desta edição; os veículos podem ser localizados por busca direta pelo nome do veículo e da coluna indicada:
- Metrópoles — coluna Fábia Oliveira (referência de cobertura, link não confirmado)
- Estado de Minas (referência de cobertura, link não confirmado)
- Correio Braziliense — coluna Mariana Morais (referência de cobertura, link não confirmado)
- O Liberal (referência de cobertura, link não confirmado)
- Folha de S.Paulo — cobertura de 1996 (referência de cobertura, link não confirmado)
- UAI (referência de cobertura, link não confirmado)
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